RENÚNCIA
Chora sua boca que hoje me beija como O sopro de uma leve brisa. Chora o fulgor de nossa paixão. Chora as labaredas que se alastravam Com tamanha intensidade. Chora meu corpo. E choro eu... Um choro seco, vazio, humilhado, Pensando que agora não mais Provamos o gosto do outro, Que o tato que nos une é ocasional. E este choro tão vazio me encontrou que Não consegue verter lágrimas. Há apenas soluços em meu coração. Sinto que vou me perder em mim. Em meu caminho sempre tão solitário. E esses meus anseios não são capazes De atingi-lo e a minha única alternativa É renunciar a mim mesma e a minhas emoções. Então silencio.
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Vera Fracaroli |
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